segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

intenso

É difícil lembrar do quão intenso era todos os meus sentimentos por ele, quando os sentimentos já não existem mais e a única coisa que restou foi a lembrança de um peito apertado e lotado de tanta coisa e confusão.
É difícil lembrar de quanto alguma coisa doeu da forma e intensidade com que realmente doeu, eu apenas me lembro que doeu muito.
É difícil dizer quanto sem chão eu fiquei, sem ar que estive e com as pernas tremulas eu estava de forma a relatar a realidade, pois nem mesmo eu lembro a intensidade.
Descobri que a gente não consegue quantificar algo que já se foi, que já passou e que já acabou, apenas o que estamos sentindo, vivendo, respirando.
Ele foi intenso sem ser, foi intenso no antes, no durante e no depois.
Hoje sua intensidade é no vazio que deixa. Deixa o dia a dia mais vazio sem suas mensagens, me deixa vazia sem a inspiração que desperta em mim, deixa meu coração vazio sem todo aquele sentimento, talvez amor, que eu sentia e hoje já não sinto mais.
Foi tanto tempo sem a intensidade de sua presença que eu achava que ela estava sumindo, mas não, ela apenas foi substituída, por outro tipo dela.
Era tanto vazio que eu tinha medo de quando olhasse de novo naqueles olhos tudo voltasse instantaneamente a transborda, a sufocar, a não caber dentro do peito. Tinha medo que com um simples olhar ou um mero 'olá' a falta de chão, de ar, de espaço no peito voltassem, mas não voltaram.
Ainda bem, ou ainda pior.
Bem, porque aquela sensação de dependência fazia mal e só hoje eu vejo isso. Bem, porque mostra que mudei. Pior, porque eu sinto falta dela, eu sinto falta de amar, eu sinto falta de transbordar.
Procuro em outros beijos, o gosto dele.
Procuro em outros jeitos, o caminhar dele.
Procuro em outros olhares, aquela sensação que eu sentia ao olhá-lo.
Procuro nos outros sua intensidade.

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